ESPORTE   |   Dançarino de Sertãozinho vai participar de campeonato de break na Grécia
17/04/2013 - 07:23:28

Foto: Gustavo Cabral, o Ratin, não mede esforços em busca de apoio e espaço para praticar a dança de rua em Sertãozinho e, agora, na Europa
(crédito: Joyce Cury)

Sem investimentos, Gustavo Cabral conseguiu a vaga em competição realizada em São Paulo

“Vai trabalhar, vagabundo”. Parece música de Chico Buarque, mas é a vizinha de Gustavo Henrique Cabral gritando enquanto ele dança na rua de casa. “Ela não entende que break é cultura”, explica para a reportagem do jornal A Cidade.

Conhecido como Ratin, Gustavo tem 21 anos e é de Sertãozinho, morador do Jardim Shangri-lá, na periferia de uma das cidades mais ricas da região. No português popular da vizinha, ele é “dançarino”.

Na cultura do hip hop, ele é um b-boy, nome dado àqueles que dançam o break, um estilo de dança de rua criado em Nova Iorque há mais de 30 anos.

No dia 28 deste mês, Gustavo irá “trabalhar” fora do país: disputará o seu primeiro campeonato internacional, em Atenas, na Grécia. Conseguiu a vaga no mês passado na competição nacional Break Combate, em São Paulo, onde venceu os 31 B-Boys com quem disputou. Mais um título para os 27 que o rapaz coleciona em mais de 10 anos de carreira.

Gustavo hoje também é instrutor de break e jurado de eventos ligados ao hip hop. Foi o caminho que encontrou para poder viver da arte e poder pagar as contas. Mas nem sempre foi assim.

“A gente consegue reconhecimento fora de casa, não aqui. Quem me vê nos campeonatos não sabe que eu e meus amigos passamos três dias comendo só pão com mortadela porque não temos grana e nem investimento”, comenta o artista.

Autodidata
O b-boy, que já dormiu em rodoviária e viajou na carona de uma moto para competir porque o dinheiro não dava para abastecer um carro, começou a dançar com oito anos no projeto municipal SOS Bombeiros, onde também fazia aulas de música.

Passou por outras escolinhas, até que cresceu e, sem dinheiro para investir em sua formação, tornou-se um autodidata, na marra. Ratin afirma que não existe sequer “um chão liso na cidade” para quem quer praticar a ‘street dance’ em Sertãozinho.

“A gente tem que ensaiar na rua, em coreto de praça ou no Docão [quadra municipal de Sertãozinho] e disputar o lugar com os meninos que querem jogar bola”, relata.

Ratin continua sem nenhum patrocínio, apoio ou investimento. A viagem à Grécia vai ser paga pela própria organização do campeonato internacional. Enquanto o dia 28 não chega, ele continua dançando com seus amigos na rua, no coreto, no Docão e recebendo os “aplausos” da vizinha.

Mas longe de querer jogar a toalha, o dançarino acredita no poder transformador da dança.

“Peço que se construa um centro esportivo para a prática do esporte na cidade. Coloca a meninada para treinar comigo e meus amigos. Não peço por mim, eu me salvei, peço pela molecada da periferia”, ressalta.

As informações são do site A Cidade.



 
 
 
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